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Fazer dieta pra quê?

dietaNeste clima de começo de ano, e o peso na consciência por ter comido demais nas festas de fim de ano tenho certeza que a resolução de muita gente inclui fazer dieta. Pois se está difícil de começar, aqui vai mais um incentivo pra você: cientistas comprovaram que quando um organismo entra em dieta, existe maior queima de gorduras o que causa aumento da longevidade, fazendo o organismo viver mais!

Quando vamos envelhecendo, os genes responsáveis por controlar o ciclo circadiano vão diminuindo a sua expressão, como consequência, começamos a ter imbalanço entre a quantidade de horas que passamos dormindo ou acordado, e as horas em atividade ou repouso. Além disso, começam a surgir problemas hormonais, alterações na temperatura do corpo, entre outras complicações. Se houvesse alguma maneira de atenuar esses sintomas, talvez pudéssemos retardar o envelhecimento.

A pesquisa foi feita por cientistas da Califórnia nos Estados Unidos que estudaram este fenômeno na famosa mosca-da-fruta, a drosófila. Os cientistas fizeram as mosquinhas entrarem em dieta por 10 dias, e depois estudaram os efeitos benéficos “do regime”. Se vocês acham que 10 dias é pouco, pois saibam que essas moscas vivem de 40 a 60 dias em média. Dez dias então é equivalmente a estar de dieta por, pelo menos, 13 anos em um ser humano que viverá 85 anos. Os pesquisadores descobriram que quando as moscas ficam em dieta, muitos genes que controlam o ciclo circadiano aumentam seu nível de expressão em vários órgãos, promovendo uma queima mais eficiente de gordura. Interessantemente, essa queima de gordura devido à dieta, é responsável por aumentar a longevidade das mesmas. Moscas em dieta viveram até 80 dias, o que significa que a longevidade delas aumentou em até 20 dias (extrapolando para os seres humanos, isso seria equivalente a viver mais 30 anos para um ser humano que viverá 85 anos!).

Os números são apenas uma extrapolação, pois a pesquisa foi feita em mosquinhas. É importante lembrar que pesquisas similares ainda não foram feitas em seres humanos, e ainda não temos como ter 100% de certeza de que os mesmos efeitos seriam encontrados em humanos. Porém, caro leitor, esses organismos são usados hoje em pesquisa científica para entender muitos mecanismos básicos de vários organismos. Muitas pesquisas já foram feitas e não existe mais dúvida sobre os benefícios da dieta. As mosquinhas nos ajudam a compreender quais os mecanismos moleculares envolvidos neste processo, uma vez que estudar seres humanos por uma vida toda não seria viável muito menos ético.

Por fim, o Mistérios gostaria de fazer alguns questionamentos. Será então que por aumentar o nível de expressão de certos genes, as moscas tem o ciclo circadiano mais controlado? Será então que pessoas que sofrem de insônia ou de qualquer outro distúrbio que “bagunce” o ciclo circadiano, por exemplo, podem entrar em dieta e isso ajudará a regular a expressão dos genes e consequentemente o ciclo circadiano? Além disso, o que significa estar de dieta para o ser humano? a mosquinha aumentou a longevidade apenas por não comer levedura (ou fermento; sim! elas adoram comer leveduras!) e o ser humano? para ter todos esses efeitos benéficos, qual seria o cardápio de referência? Quanto tempo mais viveria o ser humano que entra em dieta?

Bem, se formos viver mais ou não, a dieta é boa pra inúmeras outras coisas como reduzir colesterol, controle hormonal, reduzir o açúcar no sangue, reduzir triglicérides, previnir diabetes, melhorar a autoestima, controle das funções do intestino, redução de toxinas no organismo, melhorar o funcionamento do cérebro, reduz risco de doenças cardíacas, entre outros benefícios. Bora começar a resolução de 2016 então?

 

Fonte:

Katewa SD e colaboradores. Peripheral Circadian Clocks Mediate Dietary Restriction-Dependent Changes in Lifespan and Fat Metabolism in Drosophila. Cell metabolism, 2016.

 

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Copo meio vazio ou meio cheio?

journal.pone.0109374.g001Você vê a figura do lado como um copo meio vazio ou meio cheio? Bem, não entrando no mérito de você ser pessimista ou otimista, o que você pensa sobre isso pode de fato influenciar a quantidade de calorias que você ingere.

O alto consumo de bebidas (alcoólicas e não alcoólicas) podem trazer problemas para a saúde. Profissionais da saúde indicam aos pacientes consumir bebidas em copos altos e finos, para reduzir o consumo.

Oi? Mas de onde vem a informação de que consumimos menos em copos mais altos? Para comprovar esse fato ou não, pesquisadores da Holanda resolveram testar isso.

Foi bem simples, a pesquisa foi feita para identificar a noção que as pessoas têm em relação a quantidade de bebida contida em diferentes copos. Primeiramente, os pesquisadores pediram para que os participantes enchessem de limonada um copo alto e fino. Depois pediram para que enchessem um copo pequeno e largo. Vale lembrar que ambos os copos tinham o mesmo volume. Os resultados mostraram que as pessoas serviram 9% a mais de limonada no copo alto e fino em comparação com o copo pequeno e largo. Os resultados obtidos soaram contraditórios com as recomendações médicas, e por isso mesmo, a pesquisa não parou por aí.

Pesquisadores pediram então para que os participantes colocassem apenas uma dose de limonada em cada um dos copos. O resultado desse teste foi que as pessoas colocaram menos limonada no copo alto e fino do que no copo pequeno e largo. Oi? Confundiu tudo agora.

Os pesquisadores explicam isso de acordo com a atenção que temos em cada uma das tarefas desenvolvidas. Quando participantes foram encher o copo, a atenção estava voltada para a quantidade de líquido presente no copo. Quando foram pedidos para colocar apenas uma dose, a atenção estava na quantidade de espaço vazio no copo. Das duas maneiras, o cérebro foi tendencioso para com o copo mais alto. Ou seja, na hora de encher o copo, colocaram mais líquido no copo alto. Na hora colocar apenas uma dose, colocaram menos (pois deixaram mais espaço vazio no copo).

Este efeito pode ser melhor evidenciado na figura acima, onde temos a sensação de que o espaço ocupado pelo líquido (b) é maior no copo mais fino, mas também parece maior o espaço ocupado pelo ar (a). Esse evento é descrito como “efeito de elongação”, do inglês “effect of elongation“. Isso acontece pois nosso cérebro percebe melhor a altura do que a largura dos objetos, fazendo com que tenhamos visões tendenciosas para o copo alto e fino.

Bom, se essa teoria estiver certa, a frase “o copo está meio vazio ou meio cheio” vai depender do seu foco de atenção (espaço ocupado pelo ar ou espaço ocupado pelo líquido), e pode de fato ter uma influência na quantidade de líquido que você ingere.

 

Vi aqui.

 

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