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Zika: o que a ciência sabe até agora

zika-virus-mosquitoO que é o vírus Zika ?

É um vírus que possui RNA como material genético, seu grupo compreende vírus de até 60 nm (gênero Flavivírus), é envolto por uma camada de lipídeos e é classificado como arbovírus pois é transmitido por artrópodes. Há duas linhagens desse vírus, uma com origem da Áfria e outra da Ásia. O nome da doença que ele causa é a “febre Zika”, ou “infecção do vírus Zika”.  

 

Como é transmitido?

O Zika é transmitido pela picada de mais de 20 espécies de mosquitos (incluindo o Aedes aegypti) que estão contaminados com o vírus. No entanto, no Brasil o Zika está sendo disseminado apenas pelo Aedes aegypti. Este também é o mosquito que transmite o vírus da dengue,  febre amarela,  Chikungunya e o vírus da encefalite equina venezuelana.

De onde surgiu o vírus Zika?

O vírus Zika foi primeiramente isolado em 1947 (69 anos atrás) de macacos rhesus para um estudo sobre febre amarela na floresta Zika, em Uganda (África). O primeiro caso diagnosticado em seres humanos ocorreu em 1952, também em Uganda. Outros casos esporádicos começaram a aparecer com mais frequência entre 1960 e 1083 na África e Ásia, porém eram raros e os pacientes desenvolviam sintomas leves.

Abish Romero, National Institute of Public Health, Mexico at the Dialogue on strengthening international cooperation on noncommunicable diseases, WHO Headquarters, Geneva. Monday 30 November 2015. WHO photo by Violaine Martin

Abish Romero, National Institute of Public Health, Mexico at the Dialogue on strengthening international cooperation on noncommunicable diseases, WHO Headquarters, Geneva. Monday 30 November 2015. WHO photo by Violaine Martin

Como o vírus veio para o Brasil?

Algumas especulações acreditam que ele foi introduzido em 2014 durante a copa do mundo, provavelmente vindo da Polinésia Francesa (um conjunto de 67 ilhas no Oceano Pacífico que pertencem a França). Isso porque o vírus do Brasil se assemelha mais com a linhagem que está naquela ilha.

Alguns outros surtos já ocorreram no passado. Em 2013 ocorreu um grande surto na Polinésia Francesa, onde 11% da população foi contaminada com o vírus. Anteriormente, em 2007, também houve um surto de pessoas infectadas em uma outra ilha do Oceano Pacífico, chamada ilha Yap. Atualmente, sabe-se que o vírus é mais prevalente na África e Ásia, e agora na America Latina. Desde janeiro de 2007, 39 países já apresentaram casos de infecção por vírus Zika.

Quais são os sintomas da infecção pelo vírus Zika?

Os pacientes podem apresentar os sintomas de febre, dor de cabeça, a pele pode apresentar erupções e vermelhidão, dores nas articulações e musculares, conjuntivite e alguns são assintomáticos. Ainda não foram abservados casos de morte por infecção com vírus Zika, apesar de que, o Brasil em novembro de 2015 relatou 3 mortes em pacientes que contraíram o vírus (mas ainda não se sabe se eles morreram por terem sido infectados).

O vírus foi relacionado com surtos da doença Guillain-Barré syndrome (uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso periférico – nervos) e de microcefalia em bebês nascidos de mães infectadas. Essa relação foi feita pois o aumento no número de casos da síndrome Guillain-Barré (principalmente em 2013 na Polinésia Francesa) e microcefalia (no Brasil) aumentaram concomitantemente com o aumento no número de casos da da infeção pelo Zika.  Mas ainda não existe prova científica de que o Zika cause nem a síndrome nem microcefalia.

Qual a relação do vírus Zika e os casos de microcefalia no Brasil?

O vírus tem sido relacionado com altos casos nascimento de bebês com microcefalia em mães que foram infectadas pelo vírus. Até primeiro de dezembro de 2015, o Brasil tinha registrado 1.248 casos de bebês com a malformação, mas esse número já passa dos 4.000 suspeitos no dia de hoje, sendo 85% no nordeste brasileiro, chegando a quase 100 casos a cada 100.000 nascimentos (a média de registro de casos de microcefalia girava em torno de 20 a cada 100.000 nascimentos antes do surto). Em novembro de 2015 o Brasil detectou o genoma do vírus em amostras de sangue e de tecido de um bebê diagnosticado com microcefalia. Em janeiro deste ano, o Brasil reportou a presença do vírus em amostras de líquido amniótico (o líquido dentro da placenta) de 2 bebês diagnosticados com microcefalia. Controversamente, amostras do sangue das mães deram negativo para o vírus.

Se for comprovado que o vírus Zika é o responsável pelos casos de microcefalia em bebês, será muito provável que ele entrará para a lista de doenças tropicais neglicenciadas, as quais incluem a doença de Chagas, esquistossomose  e ancilostomíase. No entanto, apesar de todas essas evidências, até a atual data, ainda não existe prova científica que comprove essa teoria. Os pesquisadores ainda não conseguiram achar a causa para os casos de microcefalia no Brasil, e muitos argumentam que o vírus surgiu na África há 50 anos e nunca foi registrado casos de microcefalia e correlação entre a malformação e a infecção viral naquele país.

Como se prevenir de contrair o vírus?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o velho e bom repelente não pode faltar, cobrindo todas as partes do corpo, usar calças e mangas compridas de cores pálidas. Além disso, devemos acabar com os criadouros do mosquito, campanha que já muito forte no Brasil para o combate a dengue.

Existe tratamento?

Não. Não há tratamentos nem vacinas para prevenir, ainda. Pessoas infectadas apresentam sintomas que são passageiros, e os sintomas podem ser aliviados com medicamentos tradicionais. No entando, os bebês com malformação terão o desenvolvimento do cérebro afetado, e as consequências dessa malformação são assuntos para um outro post (mas lembrando que ainda não há nada comprovando que o vírus Zika causa microcefalia em bebês de mães infectadas).

O que está sendo feito a esse respeito? Qual o futuro?

Pesquisadores estão agora em um busca incessante para poder desvender os mistérios da infecção do vírus Zika. Jornais científicos internacionais estão incentivando a publicação de artigos em coletâneas específicas, para que as pesquisas possam se complementar e expor tudo que descoberto a respeito. A OMS também se movimenta para tentar solucionar o problema. Todos os artigos científicos sobre o vírus Zika que forem submetidos para a publicação serão aprovados em 24h pela OMS afim de compartilhar todo o conhecimento que for gerado (a publicação de um artigo científico normalmente pode demorar de semanas a anos!).

A OMS também está incentivando pesquisa e desevolvimento em empresas que queiram lançar produtos, idéias, técnicas que venham a beneficiar toda a comunidade, sejam com testes para a detecção da doença, tratamentos, maneiras de prevenir, vacinas, etc. Ela também trabalha para acelerar os testes clínicos e acelerar as pesquisas em cima do vírus.

Maiores informações em breve.

 

Se foi informativo o que leu, compartilhe.

 

Fonte:

Charrel et al. (2016)  State of knowledge on Zika virus for an adequate laboratory response [Submitted]. Bull World Health Organ E-pub

De Araújo et al. (2016) Microcephaly in northeastern Brazil: a review of 16 208 births between 2012 and 2015. Bull World Health Organ E-pub

Kindhauser et a. (2016) Zika: the origin and spread of a mosquito-borne virus [Submitted]. Bull World Health Organ E-pub

Marcondes et al. (2015) Zika virus in Brazil and the danger of infestation by Aedes (Stegomyia) mosquitoes. Rev. Soc. Bras. Med. Trop

http://collections.plos.org/zika

http://blogs.plos.org/speakingofmedicine/2016/01/07/will-zika-become-the-2016-ntd-of-the-year/

http://www.who.int/emergencies/zika-virus/en/

http://www.who.int/emergencies/zika-virus/situation-report/12-february-2016/en/

http://www.who.int/emergencies/zika-virus/situation-report/5-february-2016/en/

http://www.who.int/csr/research-and-development/r_d_zika_involvement/en/

http://www.who.int/bulletin/online_first/zika_open/en/

http://www.nature.com/news/the-next-steps-on-zika-1.19277?WT.ec_id=NATURE-20160204&spMailingID=50617576&spUserID=Mjg4NTk3ODMyODcS1&spJobID=860373381&spReportId=ODYwMzczMzgxS0

http://www.nature.com/news/zika-virus-brazil-s-surge-in-small-headed-babies-questioned-by-report-1.19259?WT.ec_id=NATURE-20160204&spMailingID=50617576&spUserID=Mjg4NTk3ODMyODcS1&spJobID=860373381&spReportId=ODYwMzczMzgxS0

Copa do mundo x Neurociência: pra quem você está torcendo?

brain2Bem, muitos de vocês já devem ter ouvido falar do neurocientista Miguel Nicolelis. Ele é médico, formado pela USP Ribeirão Preto, fez doutorado na mesma universidade  e pós-doutorado na Hahnemann University, Estados Unidos. Atualmente ele é pesquisador da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos mas possui parcerias com diversas universidades e institutos de pesquisa do mundo todo, inclusive no Brasil.photo

A sua história acadêmica pode ser melhor contada por ele mesmo no livro “Muito Além do nosso Eu” produzido pela Companhia das Letras em 2011. Diga-se de passagem, um livro super inspirador e motivador para todos nós pesquisadores.

Basicamente, ele tenta, há vários anos, desenvolver um esqueleto robótico em que a pessoa usa como se fosse uma roupa (exoesqueleto), e que possibilitará um paraplégico andar novamente. O projeto tem o nome de “Walk Again Project” (Projeto Andar de Novo). Várias outras tecnologias que envolvem também a interface cérebro-máquina já existem para quem tem dificuldades de movimentação em decorrência de acidentes ou doenças, no entanto, o pesquisador tem um certo diferencial. O aparelho que ele desenvolve tem por finalidade responder aos comandos cerebrais do paciente debilitado, de modo que a máquina possa fazer os movimentos de acordo com a força do pensamento. Não apenas isso, mas o paciente também recebe informações sensoriais da máquina, que o informa, por exemplo, como é a superfície de um gramado em um campo de futebol. Dessa maneira, a pessoa tem maior controle dos movimentos com o robô pois sentirá se o chão é liso, áspero, curvo, e assim por diante.

O que isso tem a ver com a Copa? Bem, Miguel Nicolelis participará da abertura da Copa do Mundo (dia 12/06 quinta-feira) fazendo uma demonstração ao vivo de como funciona o exoesqueleto em um paciente paraplégico. Todos ansiosos para essa abertura? Garanto que sim!

Abaixo segue uma breve reportagem feita há algum tempo para a Copa:

 

Miguel Nicolelis tem uma página nas redes sociais que pode ser acessada aqui na qual ele disponibiliza vídeos quase que diários e atualiza os seus seguidores sobre os treinamentos com os jovens paraplégicos. A sua última postagem sobre o assunto foi “Exo BRA-Santos Dumont 1 (nome do robô) controlado por um dos nossos voluntários, completa com total sucesso testes no gramado onde será realizada a abertura da Copa do Mundo.”

Apesar de alguns pesquisadores ainda discordarem de tais achados científicos, os caros leitores poderão ter as suas devidas opiniões formadas lendo e se atualizando das conquistas de Nicolelis pelos sites dos institutos vinculados ao projeto, livros do pesquisador e artigos científicos publicados pelo grupo. Claro que o avanço para a medicina, e para a melhoria das condições de vida de um paciente com tais necessidades são inquestionáveis. O Mistérios apoia essa ideia, Dr. Nicolelis!

E aí, pra quem você vai torcer nessa Copa? O Mistérios está torcendo para que a neurociência consiga realizar todos os gols necessários para a vitória!!!!!!!

Bora torcermos juntos?