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Falando com pacientes em estágio avançado de Esclerose Lateral Amiotrófica

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é nome de uma doença neurodegenerativa que causa morte dos neurônios motores. Neurônios motores são aqueles que inervam os músculos do nosso corpo, e com a morte deles, as células musculares atrofiam com o tempo. É um doença de caráter progressivo e os pesquisadores ainda tentam descobrir as causas da mesma. Não existe cura, apenas tratamentos para retardar o aparecimento dos sintomas. Com a atrofia dos músculos, o paciente começa, pouco a pouco, a perder o controle dos movimentos voluntários, como mexer os dedos, os membros, caminhar, falar, comer e até mesmo respirar. A musculatura dos olhos é uma das últimas a atrofiar, e depois desse estágio o paciente entra em um estágio de “completely locked in state” (ou estágio completamente encarcerado). Pelo que se sabe até os dias de hoje, essa doença não atinge os neurônios da consciência, mas tais pacientes ficam incapacitados de se comunicar e expressar seus sentimentos.

Mas caros leitores, pesquisadores estão trabalhando arduamente para driblar essa dificuldade e manter os pacientes em contato com o mundo ao seu redor aumentando a sua qualidade de vida. Já existem, por exemplo, equipamentos que medem o movimento dos dedos, ou também A super cadeira de Stephen Hawking.  Ela é uma máquina especializada em captar as piscadas de olho de Stephen, e assim ele consegue se comunicar com as pessoas ao seu redor. No entanto, técnicas para conseguir se comunicar com os pacientes que já estão em estágio encarcerado ainda não existem.

Para isso, pesquisadores da Alemanha em colaboração com os Estados Unidos, Itália e Suíça, desenvolveram um novo método para poder se comunicar com pessoas em estágio muito avançado de ELA. A técnica desenvolvida utilizou-se de functional near-infrared spectroscopy (fNIRS), que é uma técnica não invasiva de imageamento do cérebro, que mede a quantidade de hemoglobina oxigenada, em outras palavras, detecta se aquela região do cérebro está ativa ou não. Os pesquisadores estudaram 4 pacientes no total, e mediram a atividade de determinada região do cérebro mediante a perguntas que eles fizeram aos pacientes. As respostas para as perguntas deveriam ser  “sim” ou “não”, como por exemplo “Berlim é a capital da França?” Ou perguntas pessoais, como “O nome do seu marido é Joaquim?”. Os pesquisadores determinaram o padrão de atividade do cérebro quando a pessoa responde “sim” e quando a pessoa responde “não”, e assim conseguiam saber se os pacientes respondiam corretamente as perguntas feitas. Os restultados mostraram uma taxa de repostas corretas em mais de 70% das perguntas, um valor muito alto para ser considerado aleatório.

Isso quer dizer, caros leitores, que que os pacientes em estágio encarcerado têm consciência do mundo ao seu redor, se lembram de eventos do passado, e poderão, num futuro próximo, expressar seus sentimentos e afeto pelos familiares e amigos. Os pacientes dessa pesquisa também disseram que se consideram felizes e que querem viver (vide vídeo abaixo – em inglês).

 

Será então que essa técnica também pode ser usada para falar com pessoas em estágio de coma? Muito provavelmente…

 

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Vi aqui.