Vila para idosos

“A vila da demência”

é assim que é chamada uma “vila” na Holanda, onde pessoas idosas portadoras de demência podem viver tranquilamente o resto de suas vidas. O centro Hogeweyk é uma casa vizinhança inteira de repouso. Neste lugar, os idosos podem circular normalmente, fazer compras, bater papo com os amigos, ir ao restaurante, ir ao teatro e até ir ao bar. Os fundadores dessa ideia afirmam que querem criar um ambiente para que os idosos continuem em sua vida ativa por mais tempo.

A vila fica na cidade de Weesp e foi aberta em 2009. Possui 23 casas e atualmente abriga 160 idosos. Infelizmente, é preciso pagar para hospedar as pessoas, e o custo gira em torno de 5 mil euros (quase 18 mil reais) por mês. Caro, não?

Confiram algumas fotos deste local.

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Maiores informações nos sites abaixo:

http://dementiavillage.com/

http://hogeweyk.dementiavillage.com/en/kenniscentrum/

Vi aqui.

Congele seu corpo e seja ressucitado e curado por uma civilização do futuro!

(ATENÇÃO! Você precisa de estômago forte para ler este post!)

Imagine o leitor que por apenas 200 mil dólares você poderá ter seu corpo congelado em nitrogênio líquido para, quem sabe, num futuro distante, ser descongelado, ressucitado e curado da sua doença. Mas para aqueles que acharem que o corpo aos 80 anos não servirá para mais nada mesmo, existe ainda a opção de congelar apenas o cérebro por por apenas 80 mil dólares. Uma pechincha!

Alcor-Dewar2Pois é, a gente acha que isso é coisa de filme de ficção científica mas na verdade isso já é realidade (e faz tempo). Existe um lugar no estado do Arizona, Estados Unidos, onde você pode congelar o seu corpo em nitrogênio líquido, e se hospedar nesses tanques igual ao da foto ao lado.

Alcor Life Extension Foundation é uma organização sem fins lucraticos e responsável pelo congelamento e manutenção dos corpos. Neste local pesquisadores e advogados fazem o método chamado de criogenia, que é o congelamento do corpo, neste caso, em nitrogênio líquido. E pra quê? Bom, com esperanças de existir a cura de doenças no futuro com tecnologias avançadas.

Parece brincadeira, mas a Alcor já tem 133 pacientes congelados e mais milhares de membros e associados. Vale lembrar que eles também congelam seu animalzinho de estimação, por que não?

O corpo que vai ser criopreservado primeiramente é perfundido (ato de se injetar um líquido diretamente na corrente sanguínea, geralmente através do coração) com um líquido crioprotetor que irá substituir todo o líquido existente no organismo (incluindo o sangue). Esse líquido também evitará a formação de cristais de água durante o congelamento, o que poderia causar danos nos tecidos. Acreditem os leitores ou não, muitas pesquisas estão sendo feitas no intuito de melhorar a composição dos líquidos injetados, afim de que os corpos sejam preservados cada vez mais com menos danos ao cérebro. Em torno de 16 medicamentos são injetados no paciente, incluindo remédios para que ele não acorde novamente e para perder a consciência. Oi?Cryonics 1208 002

Mas para quem quer apenas o cérebro congelado, o pessoal literalmente corta a cabeça fora, e perfunde o cérebro injetando líquidos apenas nas artérias carótidas (que são as artérias responsáveis por levar sangue oxigenado ao cérebro). Que coisa, não? Saibam os leitores que o primeiro corpo criopreservado aconteceu em 1967.

O local da Alcor foi cautelozamente escolhido. Fica no estado do Arizona, onde existe poucas chances de desastres naturais, como terremotos, furacões, tornados e nevascas. Isso tudo para preservar o prédio, os corpos, e para manter contínuo o suprimento de nitrogênio líquido.

Mas, e aí? E se daqui 200 anos esses corpos “acordam” novamente, como será que eles vão encarar a realidade? Sem família? Tudo diferente? Carros voadores? Alguém aí topa? Vamos?

O Mistérios gostaria de criopreservar o cérebro, vou fazer uma vaquinha!

Aqui vai um vídeo (em inglês) pra quem quiser saber mais sore a Alcor

 

e aqui um tour pela Alcor:


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Fonte:

http://www.alcor.org/

http://en.wikipedia.org/wiki/Alcor_Life_Extension_Foundation

Copo meio vazio ou meio cheio?

journal.pone.0109374.g001Você vê a figura do lado como um copo meio vazio ou meio cheio? Bem, não entrando no mérito de você ser pessimista ou otimista, o que você pensa sobre isso pode de fato influenciar a quantidade de calorias que você ingere.

O alto consumo de bebidas (alcoólicas e não alcoólicas) podem trazer problemas para a saúde. Profissionais da saúde indicam aos pacientes consumir bebidas em copos altos e finos, para reduzir o consumo.

Oi? Mas de onde vem a informação de que consumimos menos em copos mais altos? Para comprovar esse fato ou não, pesquisadores da Holanda resolveram testar isso.

Foi bem simples, a pesquisa foi feita para identificar a noção que as pessoas têm em relação a quantidade de bebida contida em diferentes copos. Primeiramente, os pesquisadores pediram para que os participantes enchessem de limonada um copo alto e fino. Depois pediram para que enchessem um copo pequeno e largo. Vale lembrar que ambos os copos tinham o mesmo volume. Os resultados mostraram que as pessoas serviram 9% a mais de limonada no copo alto e fino em comparação com o copo pequeno e largo. Os resultados obtidos soaram contraditórios com as recomendações médicas, e por isso mesmo, a pesquisa não parou por aí.

Pesquisadores pediram então para que os participantes colocassem apenas uma dose de limonada em cada um dos copos. O resultado desse teste foi que as pessoas colocaram menos limonada no copo alto e fino do que no copo pequeno e largo. Oi? Confundiu tudo agora.

Os pesquisadores explicam isso de acordo com a atenção que temos em cada uma das tarefas desenvolvidas. Quando participantes foram encher o copo, a atenção estava voltada para a quantidade de líquido presente no copo. Quando foram pedidos para colocar apenas uma dose, a atenção estava na quantidade de espaço vazio no copo. Das duas maneiras, o cérebro foi tendencioso para com o copo mais alto. Ou seja, na hora de encher o copo, colocaram mais líquido no copo alto. Na hora colocar apenas uma dose, colocaram menos (pois deixaram mais espaço vazio no copo).

Este efeito pode ser melhor evidenciado na figura acima, onde temos a sensação de que o espaço ocupado pelo líquido (b) é maior no copo mais fino, mas também parece maior o espaço ocupado pelo ar (a). Esse evento é descrito como “efeito de elongação”, do inglês “effect of elongation“. Isso acontece pois nosso cérebro percebe melhor a altura do que a largura dos objetos, fazendo com que tenhamos visões tendenciosas para o copo alto e fino.

Bom, se essa teoria estiver certa, a frase “o copo está meio vazio ou meio cheio” vai depender do seu foco de atenção (espaço ocupado pelo ar ou espaço ocupado pelo líquido), e pode de fato ter uma influência na quantidade de líquido que você ingere.

 

Vi aqui.

 

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Você sabia?

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Que um impulso nervoso pode viajar pelo neurônio com uma velocidade de até 120 metros por segundo? É muito rápido, não?

 

Fonte: Berne & Levy – Physiology – 6th Edition

 

 

 

 

Quanto mede o maior neurônio?

neuronioO neurônio é uma célula, e uma célula é bem pequenininha, por isso cientistas só conseguem vê-las usando um microscópio.

Para se ter uma ideia, uma hemácea (a célula vermelha do sangue que transporta oxigênio) mede em torno de 7µm (0,000006 metros). Um neurônio localizado na medula espinal responsável por inervar os músculos da perna, por exemplo, pode ter mais de 1 metro de comprimento! Isso pois ele envia seu longo prolongamento (chamado axônio) desde a medula espinal até o músculo. Os nervos periféricos são compostos de vários desses axônios que vem e vão para a medula. São as células gigantes do nosso organismo! Interessante, não?

Agora, quem adivinha qual é a célula acima?

Quanto líquido cefalorraquidiano tem dentro do cérebro?

CSF_diagramO líquido cefalorraquidiano (ou líquor) é o líquido que preenche as cavidades dentro do sistema nervoso central. Isso abrange os espaços existentes dentro do cérebro propriamente dito (cerca de 30 mL) e os espaços dentro das meninges (aproximadamente 125 mL). A cada minuto o cérebro produz 0,35 mL de líquido novo e o líquido velho vai posteriormente para a corrente sanguínea. Isso faz com que todo o líquido cefalorraquidiano seja sempre renovado 3 vezes ao dia, todos os dias. Impressionante, não?

Para quem não se lembra ou não sabe, esse líquido é onde o cérebro “flutua”. O espaço entre as meninges e o cérebro é preenchido por líquido cefalorraquidiano e uma das suas funções é amortecer choques mecânicos.

O líquido cefalorraquidiano é formado por sódio (Na+), potássio (K+), cloro (Cl), glicose e proteínas. Ele está em contato com os neurônios, e por isso mesmo a sua composição é um indicativo do ambiente extracelular no cérebro e na medula espinal. É esse líquido que é coletado no exame de punção medular. Como ele é parte do sistema nervoso central, é possível identificar muitas condições fisiológicas através do exame do líquido cefalorraquidiano, como detectar meningites e câncer.

Hidrocefalia é a condição clínica onde o paciente acumula anormalmente muito líquido cefalorraquidiano centro do sistema nervoso central.

 

Fonte: Berne & Levy – Physiology – 6th Edition

 

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Pra que serve o bocejo?

bocejoBocejo: é aquele evento que pode demorar de 4 a 7 segundos, consiste de uma fase de inspiração e abertura da mandíbula, um curto período de apneia (falta de ar) e
contração muscular, e então o fechamento da mandíbula com uma breve expiração. Em muitos vertebrados ele pode ser espontâneo ou contagioso (aposto que você já bocejou nessa altura do campeonato, certo?).

Pesquisadores acreditavam que o bocejo era parte das funções respiratórias, mas experimentos revelaram que ele não tem nada a ver com os níveis de oxigênio e gás carbônico que está presente no sangue. Existe então uma nova teoria que vem ganhando força, a de que o bocejo serve para esfriar o cérebro. Pesquisadores
mediram a temperatura dos cérebros de pessoas antes e depois de bocejar, e descobriram que o cérebro estava mais quente antes e mais frio depois do bocejo.

Bem, mas a teoria não pode ser apenas comprovada com esse simples experimento, então pesquisadores da Áustria e dos Estados Unidos posturalam a hipótese de que, se a temperatura ambiente for maior, maior será a temperatura do cérebro, mais vezes uma pessoa irá bocejar. Do contrário também, quanto mais frio o ambiente ao redor, menos a pessoa bocejará, pois menos ela vai precisar esfriar o cérebro.

Com essa nova teoria em mente, eles abordaram 120 pessoas aleatoriamente nas ruas de Viena, na Áustria em duas épocas do ano. A primeira de dezembro a março, que é inverno pra eles (1,4°C) e a outra de junho a outobro, que é verão (19,4°C). Os participantes receberam 18 imagens de pessoas bocejando e depois responderam um questionário no qual deveriam dizer quantas vezes eles bocejaram durante o experimento (é claro, os pesquisadores também levaram em conta a idade e se os participantes tinham dormido a noite anterior ou não). Enquanto as pessoas estavam respondendo o questionário, uma pessoa ficava gravando a umidade do ambiente e a temperatura do ar.

Imaginem só? Comprovando a teoria dos pesquisadores, os resultados mostraram que apenas 18,3% dos participantes bocejaram durante o inverno, contra 43,7% no verão. Ou seja, o cérebro mais quente, precisa bocejar mais para se resfriar mais. Os pesquisadores concluem que o o centro que regula a temperatura do cérebro é o possível responsável por controlar também o bocejo.

E aí, você bocejou quantas vezes já? Está frio ou calor aí?

Um abraço

Fonte:
Massen, et al. A thermal window for yawning in humans: Yawning as a brain cooling mechanism. Physiology & Behavior, 2014.

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O hormônio da fome

atacar a geladeiraGrelina é o nome dele. O responsável por desencadear o apetite. É um hormônio secretado por células que estão no estômago em resposta à falta de comida. Ele vai para a corrente sanguínea e viaja até o cérebro, onde estimula certos neurônios e nos dá aqueeeela fome. Estudos indicam que o efeito “iô-iô” de pessoas que estão tentando perder peso acontece por causa da grelina. Sim, pois quando uma pessoa obesa tenta perder peso, o cérebro dela entende que o organismo está com menos peso do que necessita, e aumenta a produção de grelina, o que aumenta a procura por alimento. Isso desencadeia um ciclo sem fim, sendo muito difícil de perder peso por dietas convencionais.

Mas as funções desse hormônio não param por aí, ele também é importante para promover o crescimento, controlar a pressão sanguínea, os níveis de glicose no sangue, ansiedade e é importante também pois tem um papel em promover o sono. Pois bem, se a grelina é importante para ficarmos com sono, é de se entender que ela precisa ser liberada durante a noite, certo? Para as pessoas que ficam até altas horas na internet ou na balada, é por isso que vocês vão atacar a geladeira de madrugada. A grelina é secretada durante a noite para promover uma boa qualidade de sono, mas se os senhores ficam acordados então ficam com fome. Paradoxal, não?

Interessante que o estresse também aumenta a produção de grelina. O que nos dá a conclusão de que pessoas estressadas tendem a comer mais. Alguém se identificou?

Pois é, Mistérios e paradigmas do nosso Cérebro!

 

Fonte:

Kristensson et al. High gastrin cell activity and low ghrelin cell activity in high-anxiety Wistar Kyoto rats. Journal of endocrinology, 2007.

Weikel et al. Ghrelin promotes slow-wave sleep in humans. Am J Physiol Endocrinol Metab, 2003.

Nass et al. Ghrelin and growth hormone: Story in reverse. PNAS, 2010.

http://www.cbsnews.com/news/the-hunger-hormone-11-03-2003/

 
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Por que ficamos “beliscando” antes das refeições?

atividade antecipatória de comidaPor que quando está chegando a hora de almoçar ou jantar, começamos a atacar aqueles petiscos ou salgadinhos, mesmo sabendo que dentro de alguns minutos teremos a nossa refeição ali pronta? Já pararam pra pensar como a gente “beslica” comida antes de apreciar a saborosa refeição que está por vir?

Muitos devem se identificar com o ataque aos queijinhos, amendoins, azeitona, salgadinhos, uma pitada do molho, etc, etc, etc. Mas poucos devem saber que isso é um comportamento controlado pelo cérebro. Tá bom, agora você pode dar a desculpa de que é seu cérebro mandando você fazer isso!

Pois bem, pesquisadores descrevem esse comportamento como “atividade antecipatória de comida” (do inglês: food antecipatory activity). O que acontece é que o nosso organismo tem vários relógios biológicos que controlam, por exemplo, o nosso sono, o ciclo menstrual das garotas e um relógio que consegue prever eventos que estão para acontecer, como o horário das refeições. Este último é controlado por experiências anteriores na nossa vida, ou seja, se estamos acostumados a jantar as 20h, começaremos a ficar com fome sempre um pouco antes deste horário. Mas ele é totalmente adaptável, podendo ser alterado baseado em novas experiências.

Não só a fome em si ocorre antes do horário previsto, mas também acontece a “atividade antecipatória de comida”, que é o nosso organismo ficando agitado e de fato começando a procurar fonte de alimentos. Esse evento pode acontecer de minutos ou até mesmo horas antes do horário da refeição.

Os pesquisadores dos Estados Unidos encontraram o neurotransmissor responsável por este tipo de comportamento em ratos. E imaginem, é a dopamina! Aquele mesmo neurotransmissor que é responsável por nos dar a sensação de prazer e bem-estar, e é o neurotransmissor afetado em pessoas com Doença de Parkinson. Existe uma região específica do cérebro que controla o comportamento de antecipação à comida, através da liberação de dopamina por alguns neurônios e captação dessa dopamina por outros neurônios. Para os mais interessados, o nome dessa região dentro do cérebro é chamado de corpo estriado dorsal.

Mas opa, está chegando a hora da janta, acho que vou ali petiscar algo, digo, digo.. preparar a comida.
Fonte:

Gallardo et al. Dopamine receptor 1 neurons in the dorsal striatum regulate food anticipatory circadian activity rhythms in mice. eLife, 2014.

 

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Escrever à mão ajuda a memorizar mais

escrever à mãoPois é, existe pesquisa pra tudo certo? Pesquisadores dos Estados Unidos publicaram este ano um artigo que mostrou que a escrita à mão ajuda a memorizar mais o conteúdo do que anotações feitas a partir de um laptop. No estudo intitulado “A caneta é mais poderosa que o teclado“, pesquisadores aplicaram um teste para estudantes que assistiram aula fazendo anotações em um computador ou anotações à mão em um caderno. Concluíram que os alunos que fizeram anotações no computador, literalmente transcreveram a palestra, e tiveram pior desempenho em testes com questões conceituais. Por outro lado, alunos que fizeram anotações à mão processaram melhor as informações pois escreveram a aula com suas próprias palavras, o que desencadeou uma melhora no questionário.

E agora, José? Vamos tirar os laptops e tablets das salas de aula? Será que isso é uma questão a ser levada em conta nas escolas e universidades?

 

Fonte:

Pam A. Mueller and Daniel M. Oppenheimer. The Pen Is Mightier Than the Keyboard – Advantages of Longhand Over Laptop Note Taking. Psychological Science, 2014.