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Os 13 pares de nervos cranianos. Mas não eram 12?

Me surpreendi com a notícia que nem é tão nova assim. Para quem não faz idéia do que estou falando, ao lado temos uma figura que mostra os nossos 12 pares de nervos cranianos. Para mais informações consultar um livro de neuroanatomia.

Em 1978 o anatomista Gustav Fritsch descobriu um nervo bem delicado, localizado a frente dos outros. Ele foi chamado de Nervo Zero. Porém, o nervo não resiste aos procedimentos de dissecação, por isso é sempre rompido e perdido. Este nervo parece ramificar-se próximo ao nariz (para alguns pesquisadores ele é considerado apenas um ramo do nervo olfatório).

Este nervo zero tem terminações na cavidade nasal (assim como o nervo olfatório), porém ele se projeta para áreas sexuais do cérebro. Essas regiões são ligadas com funções básicas da reprodução, como controle da liberação de hormônios sexuais e outros impulsos irreristíveis (sede e fome).

Mais uma comprovação de que este nervo está ligado com funções reprodutoras vem da pesquisa de Celeste Wirsig em 1987. Ele removeu cuidadosamente o nervo zero de hamsters machos (sem remover o nervo olfatório). Os animais não conseguiram mais se acasalar, embora fossem tão hábeis para encontrar comida quanto seus colegas do grupo controle.  Além dessa pesquisa, Northcutt e Demski conseguiram aplicar um estímulo elétrico leve no nervo zero sem afetar o nervo olfatório. Com isso os machos responderam liberando esperma.

Do ponto de vista embriológico, o órgão vommeronasal se forma durante a vida fetal mas se atrofia depois em humanos. Já o nervo zero se desenvolve bem cedo e vários estudos mostraram que todos os neurônios que produzem GnRH (hormônio liberador de gonadotropinas) usam o nervo zero fetal como eixo para migrarem e descobrirem seu local correto no cérebro. Se esse processo embrionário for interrompido, o resultado será a Síndrome de Kallmann (prejudica o olfato e impede o amadurecimento sexual).

Fonte: Mente e Cérebro, Edição Especial 2011.

Para maiores leituras baixe aqui um artigo da Science.

 

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