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Archive for the ‘Plasticidade nervosa’ Category

Como estudar a esquizofrenia?

Olá amigos do blog. É com muito orgulho que o Mistérios vem divulgar uma pesquisa muito brasileira, feita por uma aluna de mestrado da Unicamp em Campinas! Caroline Brandão Teles sob supervisão do Dr. Daniel Martins de Souza resolveu compartilhar com a galera como ela pretende compreender a biologia por trás da patologia. Vale lembrar que é um distúrbio que ainda não tem exame diagnóstico e nem cura, e requer um tratamento para a vida a toda.

O Mistérios está torcendo por vocês Carol, Daniel e todo o time! Que o trabalho de vocês ajude a elucidar um pouco mais dos mistérios da esquizofrenia. Bom trabalho a todos .

 

Nosso cérebro é fabuloso!

Oie pessoal, esse é um vídeo sobre um dos episódios Discovery na escola: tudo sobre o cérebro. Vale a pena conferir.

 

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=AIFxNT3JZnE%5D

 

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A cientista que curou seu próprio cérebro

LIVRO-A-Cientista-que-CurouÉ pessoal, não somente uma cientista, mas uma neurocientista. Jill Bolte Taylor é uma especialista em esquizofrenia, e começou bem cedo seus estudos pois seu irmão nasceu com essa doença. O que acontece é que depois de muitos anos estudando o cérebro, a cientista sofreu um AVC hemorrágico por causa de uma má formação em seus vasos do cérebro. O AVC atingiu o hemisfério esquerdo, o que a deixou parcialmente debilitada por algum tempo. Com a intenção de 1077181_561722233865570_781977273_ocompartilhar toda essa história com um olhar de um especialista na área, a pesquisadora decidiu escrever um livro sobre o ocorrido.

Originalmente, ele se chama “My stroke of insight”, mas existe também a versão traduzida dele, que se chama “A cientista que curou seu próprio cérebro”. Recomendo a leitura pois a autora descreve todas as sensações vivenciadas durante e depois do AVC. Felizmente, ela ficou sóbria durante todo o tempo e se recuperou depois para nos contar essa maravilhosa experiência de vida. 

 

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Aprendizado causa expansão cerebral, em qualquer idade

Muitas pessoas podem acreditar que é difícil aprender algo novo, depois de estar mais velho. Quem já não pensou “nossa, quando eu estudava inglês sendo mais jovem era mais fácil”? Mas um estudo publicaso pela Proceedings of the National Academy of Sciences demonstra que o cérebro adulto é capaz de crescer rapidamente quando exposto a algum tipo de aprendizado, como acontece com bebês e crianças.

Após o teste aplicado, o cérebro  dos participantes foi analisado por ressonância magnética e o resultado não foi outro: a massa cinzenta havia aumentado! Apesar de não ter ficado claro se ocorreu neurogênese ou apenas ramificações dos neurônios já existentes, o que importa é que a plasticidade cerebral foi evidenciada. E o teste foi feito em apenas 3 dias, incrível não?

Então, adultos e pessoas mais velhas, nada de deixar o comodismo tomar conta e dizer que a atividade vai ser difícil. Lembre-se que exercitar o cérebro também é saudável e traz muitos outros benefícios já citados no blog.

Fonte aqui.

 

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Desenvolvendo a inteligência espacial

Continuando o assunto de plasticidade cerebral, agora venho tratar de um assunto interessante: música! Quem não gosta de ouvir música? E de tocar? Sabe tocar algum instrumento? Se não, trago aqui um bom motivo para começar.

É um bom exemplo de como o cérebro pode ser modelado, sem querer. A música, além de ajudar a liberar dopamina no nosso cérebro (http://bit.ly/efT9Me) pode ser mais uma grande aliada pra quem sabe tocar algum instrumento. Uma equipe de pesquisadores da Califórnia fez uma pesquisa com crianças de 3 anos. Metade delas assistiu a aulas de piano ou canto durante oito meses. Incrivelmente seus desempenhos em quebra-cabeças, testes de raciocínio espacial e desenhos de figuras geométricas foram 80% superiores aos das crianças que não assistiram a lições de música. Além disso, as crianças musicais tornaram-se gradualmente mais rápidas e mais precisas no raciocínio espacial ao longo do ano escolar e elevaram seu nível de inteligência espacial.

Isso sugere que, com a música sendo estruturada no tempo e no espaço, a sua prática fortalecerá os circuitos que ajudam o cérebro a pensar e a raciocinar no espaço e no tempo, o que é importante para a matemática, por exemplo. Se o efeito da prática prolongada durante a infância é permanente, a competência aperfeiçoada ajudará as crianças em complexos problemas de matemática e engenharia quando crescerem. Ainda de acordo com esse raciocínio, a música estimula padrões neurais em vastas regiões do córtex que são usadas também para o raciocínio espacial.

Deve ser por isso que agora as escolas estão oferendo aulas de musicalização para crianças. Demoraram para fazer isso, não acham? O que é importante também são as pessoas estimularem seus filhos ou familiares a frequentarem aulas de música desde criança.

Fonte: “O cérebro – um guia para o usuário” – John Ratey

Um abraço.

 

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Devemos reforçar as conexões nervosas

Em algum post anterior eu já tinha mencionado que os neurônios competem por um local de conexão. Aquelas conexões neurais mais fortes se tornarão permanentes, e as mais fracas serão eliminadas. Vou dar mais um exemplo de como isso pode acontecer.

“A competição para obter mais representação no cérebro explica porque, no caso de bebês que nascem com cataratas que lhes toldam a visão, elas devem ser removidas por volta dos seis meses de idade ou eles nunca adquirem visão. O cérebro deve aprender a ver, fazendo conexões e estimulando-as com informações oriundas da retina. Se esses trajetos não são estimulados, serão eliminados como inúteis. Muitos de nós que usamos óculos temos uma prescrição diferente para cada olho, a fim de tornar os olhos comparavelmente fortes. Caso contrário, os neurônios a serviço do olho mais forte ramificarão suas conexões, forçando a retina dos neurônios que servem o olho mais fraco e fazendo com que a acuidade visual deste último permaneça deficiente. Essa condição é conhecia como ambliopia (ou olho preguiçoso). Para estimular os neurônios de um olho mais fraco e impedir que ele se torne amblíope, os oftalmologistas vendam o olho mais forte. Se o olho de uma gatinho recém-nascido for cirurgicamente mantido fechado, as conexões neurais desse olho definham e desaparecem por falta de uso. Se o olho for aberto mais tarde, nunca adquirirá visão, porque o olho mas forte apossou-se permanentemente das sinapses disponíveis e, mais importante, o olho mais fraco perdeu permanentemente sua capacidade de realizar conexões.”

E aí? Acham que é importante manter o cérebro sempre ativo e estimulado?

Fonte: “O cérebro – um guia para o usuário”. John J. Ratey.

 

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Estabelecendo conexões no sistema nervoso

Aqui venho tratar de um tema que se chama “sobrevivência neuronal”. Sabe-se que os embriões de vertebrados nascem com uma super quantidade de neurônios, mas que estes neurônios não permanecem todos vivos durante o desenvolvimento. Então, porque nascemos com tantos neurônios se naturalmente eles vão morrer? Eis aí a questão. Não sei responder, e também não sei se existe resposta para essa pergunta, mas o que os seres humanos podem é diminuir a quantidade de neurônios que morrem.

Vamos por partes. Gostaria que os leitores que ainda não sabiam disso que entendam que um neurônio só sobrevive quando consegue atingir o seu alvo, ou seja, a célula com quem deve fazer uma conexão e transmitir uma informação nervosa. Isto porque essa célula ou tecido alvo secreta fatores que são fundamentais para a sobreviência neuronal. O que seria o alvo? Se temos um neurônio motor, por exemplo, o alvo dele é uma célula muscular. Se temos um interneurônio na medula espinal, o alvo dele poderia ser um  motoneurônio, e assim por diante. O nosso sistema nervoso é cheio de conexões. E quando o neurônio não consegue atingir o alvo, ele não sobrevive.

O neurologista Gerald Edelman deu o nome a esse processo de darwinismo neural. As conexões com boa absorção para as informações sensoriais recebidas e que podem convertê-las em ações efetivas permanecem intatas e tornam-se fortes. Aquelas que não o fazem enfraquecem e morrem, num processo que se assemelha à seleção natural. Neurônios que se excitam juntos, permanecem juntos, o que siginifica que quanto mais vezes repetimos as mesmas ações e pensamentos, mais encorajamos a formação de certas conexões e mais fixos no cérebro se tornam os circuitos neurais para essa atividade.

Então ficou fácil pensar agora que nos basta apenas aumentar as chances de um neurônio atingir a sua célula alvo, e aumentar a excitação daquele conjunto de neurônios, assim conseguiremos aumentar o número de neurônios sobreviventes. Mas o que é isso? Como eu faço isso?

Oras, é simples. Quando você está tentando decorar a tabuada, você está estimulando várias vezes um mesmo conjunto de neurônios que transmitem informações um para o outro, e com o passar o tempo essas conexões ficam fortes de tanto “treinar”, de modo que a memória das contas você não esquecerá mais. A mesma coisa acontece quando você tenta andar de bicicleta, pode ser difícil no começo mas depois que as conexões de certos neurônios forem formadas, você terá pleno controle de como andar na bicicleta e não esquecerá mais.

Os neurônios e os circuitos de que eles participam competem com outros neurônios pela sobrevivência, e os que se adaptam melhor ao meio ambiente sobrevivem (darwinismo neural).  O meio ambiente que nos cerca – o que ingerimos e inalamos, o montante e o tipo de luz e som – altera, com efeito, a interligação física das sinapses no cérebro, dotando-nos assim com circuitos mais eficientes e permitindo que cada um de nós desenvolva um cérebro exclusivo, ajustado às nossas necessidades particulares.

Ah, então quer dizer que eu posso adaptar o meu cérebro de acordo com as minhas necessidades? Ele não é um órgão “parado”? Quase isso! O nosso cérebro é bem plástico, ou seja, podemos “modelar” algumas de suas conexões. Mas isso também varia de acordo a nossa faixa etária, e isso é assunto para um próximo post!

Espero que tenham gostado.

Fonte: “Principals of neural science” do Kandel e “O cérebro, um guia para o usuário” de John J. Ratey

 

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