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Droga usada em tratamento de leucemia é testada em pacientes com Parkinson

Shaking PalsyPois hoje o blog vai tratar de uma super nova pesquisa super recém saída do forno, que ainda nem foi publicada em revista científica mas foi divulgada em um dos maiores eventos de neurosciência do mundo neste final de semana, o Society for Neuroscience em Chicago.

O doutor Fernando Pagan, diretor do Programa de Desordens do Movimento na Georgetown University Medical Center divulgou um estudo piloto na qual pacientes com doença de Parkinson receberam como tratamento uma droga hoje usada para o tratamento de leucemia, chamada nilotinib. Os pesquisadores obtiveram resultados promissores.

A doença de Parkinson é caracterizada pela morte de neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor envolvido nas vias de controle do movimento. A doença de Parkinson é caracterizada pelos sintomas: bradicinesia (lentidão anormal de movimentos voluntários), tremor e rigidez, pode surgir em jovens mas é mais comum em pessoas idosas. Essa doença não tem cura, e foi primeiramente caracterizada por James Parkinson na Inglaterra, há 200 anos atrás. Desde então, pesquisadores buscam arduamente tentar entender melhor os mecanismos de como essa doença surge, como ela age, e uma possível cura.

Os autores deste estudo recente explicam que em doenças como a Doença de Parkinson, os neurônios afetados produzem proteínas que se acumulam nas células causando toxicidade, acarretando na morte dos neurônios. Então os pesquisadores pensaram em uma maneira de “limpar” os neurônios. Claro, muitas outras pesquisas já estão sendo feitas nesse sentido, muitos pesquisadores já trabalham tentando entender o que acontece com os neurônios em doenças neurodegenerativas, e como tentar reverter. Mas os achados deste trabalho em específico são muito autênticos pois estudando o mecanismo de ação de uma droga já usada para tratamento de outra doença identificaram que o nilotinib é capaz de ativar um “sistema de limpeza” nas células, fazendo com que elas se livrem das proteínas tóxicas mais facilmente.

Os pesquisadores primeiro testaram em neurônios em cultura de células, e como tiveram resultados positivos, testaram a droga em camundongos, o que também trouxe bons resultados. Os camundongos que tinham a doença de Parkinson quase não conseguiam mais se movimentar, tiveram seus movimentos restaurados quando a droga foi aplicada. Então os pesquisadores partiram para testes em seres humanos. Os pacientes tratados tiveram níveis reduzidos de proteínas tóxicas no seu sangue e no líquido cefalorraquidiano, os simtomas da doença também melhoraram, com pacientes que voltaram a comer sozinhos, andar novamente normalmente e falar normalmente. Além disso, os pacientes reduziram a quantidade de remédios que tomavam para a doença de Parkinson, sugerindo que os neurônios melhoraram a produção de dopamina. Vale lembrar que os testes com seres humanos duraram apenas 6 meses.

No entando, caro leitor, apesar de os resultados serem muito promissores, o estudo é apenas um piloto, com resultados muito preliminares. A droga ainda precisa ser testada em muitos outros pacientes, mesmo porque a doença pode se manifestar diferentemente em diferentes pessoas. Além disso, o Mistérios ainda tem mais perguntas para os autores dessa pesquisa: Será que essa droga é capaz de impedir a progressão da doença, ou apenas retardar a doença de uma maneira mais eficiente que a L-dopa utilizada hoje ? Será que os pesquisadores pensaram em qual vai ser os efeitos a longo prazo da ingestão desta droga por pacientes com Parkinson? Será que essa droga seria tóxica a longo prazo? Será que é uma cura?

Vi aqui e aqui:

Patrick A. Lewis. James Parkinson: The Man Behind the Shaking Palsy. Journal of Parkinson’s Disease 2 (2012)
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