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Ecstasy: velho método para, literalmente, fritar os seus neurônios

raveCaro leitor, o tema de hoje é bem simples: “como fritar os seus neurônios”. E ele é simples porque basta algumas “pitadas” de ecstasy, e você já vai ter vários dos seus neurônios torrados, e mortos.

As primeiras grandes descobertas surgiram após o começo do uso crônico dessa droga, que começou em festas raves na década de 90. Nessas festas é comum as pessoas consumirem várias doses seguidas na mesma noite. George Ricaurte, um pesquisador da Universidade de Johns Hopkins nos EUA, resolveu mimetizar uma festa rave para um grupo de 5 macacos. George e seus colaboradores administraram nos macacos 3 doses seguidas de ecstasy de 3 em 3 horas. Só pra deixar claro que a quantidade e a dosagem usada é mais baixa do que seres humanos geralmente ingerem.

Assim como ocorre nas festas, o pesquisador obteve 3 resultados. Um dos macacos ficou tão retardado, se é que os caros leitores me entendem, que teve que parar de ingerir a droga após a segunda dose. Outro macaco desenvolveu hipertermia maligna (febre acima de 42°C !!!!) e morreu antes da terceira dose. Aqui cabe lembrar que um dos efeitos da droga dentro do sistema nervoso central é interromper a região cerebral que controla a temperatura corpórea. Assim sendo, a temperatura do corpo todo (inclusive do cérebro), aumenta muito. Esse aumento na temperatura do cérebro é totalmente prejudicial para os neurônios, pois isso atrapalha a transmissão dos impulsos nervosos.

O último resultado foi a sobrevivência de 3 macacos à todas as doses, assim como acontecem com alguns festeiros mais fortes frequentadores das raves. Porém, querido leitor, os pesquisadores foram analisar o cérebro desses macacos duas semanas após o consumo da droga. Eles compararam esses cérebros com cérebros de macacos saudáveis e descobriram que houve uma redução grande nos níveis do hormônio serotonina nos cérebros dos drogados. Além disso, houve redução de 70% da dopamina que é encontrada em uma região cerebral responsável pelo controle dos nossos movimentos. E é essa a mesma região afetada na doença Mal de Parkinson, ou seja, os usuários ainda podem ficar predispostos a desenvolver a doença por conta do uso abusivo da droga.

Ou seja, você tem neurônios torrados e ainda de quebra ganha uma predisposição para desenvolver uma doença neurodegenerativa, que vai matar ainda mais as suas pobres células neuronais…

Grande abraço!

Fonte: Sexo, Drogas, Rock’n’Roll & Chocolate – O cérebro e os prazeres da vida cotidiana, de Suzana Herculano-Houzel

Ler mais sobre drogas:

https://misteriosdocerebro.wordpress.com/category/drogas/ e https://misteriosdocerebro.wordpress.com/category/vicios/

 

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