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A cerveja é boa mesmo ou enganamos o nosso paladar?

O que você aprende com o paladar? Pra que ele é importante nas nossas vidas? Será que todos os animais sentem os mesmos gostos?

De um ponto de vista evolutivo, os cientistas acreditam que cada uma das quartro modalidades básicas do paladar (doce, salgado, ácido e amargo) serve uma importante função ecológica. O doce assegura a nossa contínua busca de um suprimento de energia e marca o alimento como nutritivo. A sensibilidade ao sal ajuda a manter os fluidos corporais e o equilíbrio eletrolítico. As percepções amargas advertem contra toxinas e venenos. O azedo previne contra alimentos deteriorados.

Ainda, as nossas células receptoras gustativas sofrem neurogênese constante. Possuem uma vida média de 10 dias. Isso quer dizer que quando queimamos a língua com chocolate quente, conseguimos recuperar o nosso paladar graças ao nascimento de novas células receptoras. Quem bom, né? Vivemos queimando a língua com líquidos quentes!

Uma galinha  possui apenas 24 brotamentos gustativos. Acham que isso é muito? O ser humano possui entre 2 mil e 5 mil desses brotamentos na boca e ao redor dela. Isso quer dizer que podemos dar qualquer comida pra galinha que elas pouco se importam com isso. Já os seres humanos conseguem diferenciar mais dentre os tipos de gosto. Já pensou que triste não conseguir sentir a diferença entre um chocolate e um morango?  No entanto, há seres vivos que conseguem distinguir mais sabores do que a gente, são os peixes nematognatos (como o bagre). Eles possuem 175 mil papilas gustativas, e a maior parte delas está do lado de  fora do corpo, de modo que eles conseguem provar o alimento antes mesmo de comer. Que coisa, não?

Saibam os leitores que essas células receptoras sofrem influência da temperatura, e há um exemplo bem prático e rápido pra gente entender como isso funciona. Quando os brotamentos gustativos estão frios ou congelados, a capacidade para sentir certos paladares é bastante reduzida. Oras, quem já não tomou aquela cerveja gelada maravilhosa e depois tomou aquele resto que ficou na garrafa por muito tempo e estava quente? Pois bem, a cerveja estando gelada age  entorpecendo temporariamente os brotamentos gustativos, fazendo com que a gente não sinta o real gosto dela. E quando ela está quente, tem aquele gosto amargo ruim. Agora, o leitor sabe que a cerveja fica boa só porque esfriamos os nossos receptores gustativos, e não porque ela é naturalmente gostosa.

 

Aquele abraço!

 

Fonte: “O cérebro – um guia para o usuário” de John J. Ratey

 

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