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Conversando com pessoas em coma

Pesquisadores das universidades de Liege, na Bélgica, e Cambridge, na Inglaterra, conseguiram interagir com pacientes em estado vegetativo. Foram realizados testes com 54 pessoas em coma. Elas foram colocadas em máquinas de ressonância magnética, capazes de medir a atividade cerebral. De acordo com estudo publicado pelo New England Journal of Medicine, algumas delas conseguiram responder a pedidos feitos pelos médicos, imaginando situações que ativam diferentes partes do cérebro.

Dos pacientes envolvidos no estudo, 31 deles já haviam demonstrado sinais mínimos de consciência, como risadas. Os outros 23 estavam em estado vegetativo. Depois de colocados nas máquinas de ressonância magnética, os especialistas pediam para que os pacientes se imaginassem jogando tênis e andando por casas e bairros familiares. Cada tipo de pensamento provoca uma resposta cerebral diferente. Para a partida de tênis, a área responsável pelo movimento do corpo entra em ação. No caso do passeio por locais familiares, é ativada a parte que comanda a noção espacial.

Quatro conseguiram interagir com os médicos, imaginando os cenários pedidos. Um paciente específico, um homem de 22 anos em estado vegetativo identificado como Paciente 23, respondeu a questões simples, como “O nome do seu pai é Alexander?”. Das seis perguntas feitas, ele acertou cinco. Ele precisava imaginar o campo de tênis para “sim” e sua casa para “não”.

Apesar de serem poucos os pacientes que demonstraram atividade cerebral, o resultado mostra que a linha entre consciência e inconsciência é ainda mais tênue do que se supunha. Adrian M. Owen, um dos autores do estudo, estima que 40% dos diagnósticos sobre pacientes em estado vegetativo estão errados. “Existe uma minoria de pacientes com capacidades cognitivas muito além do que aparentam ser capazes”, afirma, em entrevista ao The Wall Street Journal.

O estudo pode abrir caminho para novos tratamentos de pacientes em coma. A pesquisa demonstra que pessoas em coma podam ainda ter consciência, perceber o que acontece à sua volta e responder a perguntas dos médicos. Owen diz que vai continuar com os estudos e espera, eventualmente, que os próprios pacientes em estado vegetativo participem de seu tratamento.

Vi aqui.

 

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  1. Leandro Favarin
    13/01/2011 às 17:14

    Eu acredito que o consciente e o inconsciente são a mesma coisa: uma representação do seu todo. Não há diferença entre ambos, de modo geral, e ambos existem em quem vive, sendo o consciente a parte visível de todos nós. Quando estamos acordados, nos expressamos por essas duas vias independentemente.

    A única diferença é que a parte consciente se viabiliza por meio da linguagem (não necessariamente a oral).

  2. Pinard Assis Cunha
    23/04/2012 às 15:02

    Eu sou hipnoterapeuta e já tive a oportunidade de atentar pra tais possibilidades há muito tempo e tenho ainda experiências própria com motivaçao com pacientes neste estágios.É preciso de pesquisas, principalmente com pacientes terminais com câncer e vítimas de traumatismos.Devemos começar atentar que tratar não é somente trazer à vida biologica novamente, mas pode ser uma atitude humana de reconfortar o paciente para que se seu caso for irreverssível que ele seja motivado e encorajado na sua jornada sem o apego ao que já é impossível restituir-lhe.Afinal, não é isso que as religioes fazem ?Dão o último conforto ao paciente? Porque os profissionais de saúde tmabém não o fazem de forma ordenada, humana e terapeuticamente?Onde começa o ato ´medico todos sabem, mas e onde termina?Será no silêncio que a morte provoca ou deveria ser numa conversa reconfortante para quem está no seu momento final?

    • 23/04/2012 às 15:06

      Boa tarde Pinard, primeiramente obrigada pela opinião deixada aqui. Concordo plenamente com você, acho que o “conversar” não é somente o ato de falar. E acho que um estudo como esse é muito pouco discutido na mídia, na sociedade, na política, porque isso poderia colocar em cheque aquelas questões de eutanásia, que certos países ainda permitem.

      grande abraço

  3. Pinard Assis Cunha
    24/04/2012 às 15:19

    Olhe coincidência ou não, vc. assistiu na tv. os telejornais?O que eu havia comentado ontem, aconteceu ontem mesmo com o caso do filho do cantor Leonardo.Os médicos o pediram para que ele conversasse com o filho dele.Porque não os próprios médicos de forma terapeutica ,não o estimulam a reagir ao coma com sugestões hipnóticas de mehlora, calma, tranquilidade e programe a sua mente para reagir às terapias?Parece que somente quando as pesquisas vem lá do outro lado do mundo é que são consideradas possibilidades, o que é uma pena, pois continuamos sempre copiando, modelando os profissionais de Liege e Cambridge.Será que são os nomes diferentes é que fazem a difrença?Será?

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