O vírus Zika pode ser transmitido sexualmente?

Pois é pessoal, especulações é o que não faltam. O que falta mesmo são provas científicas na maioria dos casos.

Algumas notícias dizem que o vírus pode ser transmitido sexualmente, mas esses rumores ainda não foram comprovados cientificamentes. A hipótese surgiu a partir de alguns relatos. O primeiro aconteceu em 2008 no Colorado, Estados Unidos. Um pesquisador estava a trabalho no Senegal (África), e voltou com sintomas da infecção pelo vírus Zika. Algum tempo depois, a sua mulher foi diagnosticada com os mesmos sintomas, então especulações sugerem que o vírus poderia ter sido transmitido sexualmente. Isso porque na época em que o cientista retornou para os Estados Unidos, as condições climáticas e a fauna de mosquitos do Colorado não eram as mesmas das que normalmenteo vírus se hospeda. Além disso, a esposa do pesquisador foi diagnosticada com a doença 9 dias após o retorno do marido, e a incubação do vírus no mosquito acontece em 15 dias ou mais, para só depois ser transmitido para o ser humano. Além disso, os filhos do casal não foram diagnosticados com a doença. Com essas evidências, pesquisadores suspeitam que o vírus tenha sido transmitido sexualmente ou por outros fluidos corporais (ex. saliva).

O segundo relato foi em 2013, onde o vírus foi isolado do sêmem e da urina de um paciente de 44 anos da Polinésia Francesa. Além desses dois relatos, em feveiro deste ano foi relatado um outro caso em Dallas, Estados Unidos, que uma pessoa viajou para a América do Sul, contraiu o vírus, e dias depois de retornar aos EUA o seu (sua) parceiro (a) apresentou sintomas da infecção por Zika. Esses três relatos abriram margem para a hipótese de que o vírus pode ser transmitido sexualmente.

No entanto, nunca foi documentado anteriormente que um arbovírus poderia ser transmitido sexualmente. Além disso, as pesquisas ainda são inconclusivas a esse respeito. Portanto, ainda não há provas cíentíficas de que o vírus Zika pode ser transmitido sexualmente.

 

Saiba mais sobre o Zika vírus no post Zika: o que a ciência sabe até agora.

Fonte:

Foy et al. (2011). Probable Non–Vector-borne Transmission of Zika Virus, Colorado, USA. Emerg Infect Dis

Musso et al. (2015) Potential Sexual Transmission of Zika Virus. Emerg Infect Dis

http://www.dallascounty.org/department/hhs/documents/DCHHS_Zika_HealthAdvisory_20160202_final.pdf

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Zika: o que a ciência sabe até agora

zika-virus-mosquitoO que é o vírus Zika ?

É um vírus que possui RNA como material genético, seu grupo compreende vírus de até 60 nm (gênero Flavivírus), é envolto por uma camada de lipídeos e é classificado como arbovírus pois é transmitido por artrópodes. Há duas linhagens desse vírus, uma com origem da Áfria e outra da Ásia. O nome da doença que ele causa é a “febre Zika”, ou “infecção do vírus Zika”.  

 

Como é transmitido?

O Zika é transmitido pela picada de mais de 20 espécies de mosquitos (incluindo o Aedes aegypti) que estão contaminados com o vírus. No entanto, no Brasil o Zika está sendo disseminado apenas pelo Aedes aegypti. Este também é o mosquito que transmite o vírus da dengue,  febre amarela,  Chikungunya e o vírus da encefalite equina venezuelana.

De onde surgiu o vírus Zika?

O vírus Zika foi primeiramente isolado em 1947 (69 anos atrás) de macacos rhesus para um estudo sobre febre amarela na floresta Zika, em Uganda (África). O primeiro caso diagnosticado em seres humanos ocorreu em 1952, também em Uganda. Outros casos esporádicos começaram a aparecer com mais frequência entre 1960 e 1083 na África e Ásia, porém eram raros e os pacientes desenvolviam sintomas leves.

Abish Romero, National Institute of Public Health, Mexico at the Dialogue on strengthening international cooperation on noncommunicable diseases, WHO Headquarters, Geneva. Monday 30 November 2015. WHO photo by Violaine Martin

Abish Romero, National Institute of Public Health, Mexico at the Dialogue on strengthening international cooperation on noncommunicable diseases, WHO Headquarters, Geneva. Monday 30 November 2015. WHO photo by Violaine Martin

Como o vírus veio para o Brasil?

Algumas especulações acreditam que ele foi introduzido em 2014 durante a copa do mundo, provavelmente vindo da Polinésia Francesa (um conjunto de 67 ilhas no Oceano Pacífico que pertencem a França). Isso porque o vírus do Brasil se assemelha mais com a linhagem que está naquela ilha.

Alguns outros surtos já ocorreram no passado. Em 2013 ocorreu um grande surto na Polinésia Francesa, onde 11% da população foi contaminada com o vírus. Anteriormente, em 2007, também houve um surto de pessoas infectadas em uma outra ilha do Oceano Pacífico, chamada ilha Yap. Atualmente, sabe-se que o vírus é mais prevalente na África e Ásia, e agora na America Latina. Desde janeiro de 2007, 39 países já apresentaram casos de infecção por vírus Zika.

Quais são os sintomas da infecção pelo vírus Zika?

Os pacientes podem apresentar os sintomas de febre, dor de cabeça, a pele pode apresentar erupções e vermelhidão, dores nas articulações e musculares, conjuntivite e alguns são assintomáticos. Ainda não foram abservados casos de morte por infecção com vírus Zika, apesar de que, o Brasil em novembro de 2015 relatou 3 mortes em pacientes que contraíram o vírus (mas ainda não se sabe se eles morreram por terem sido infectados).

O vírus foi relacionado com surtos da doença Guillain-Barré syndrome (uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso periférico – nervos) e de microcefalia em bebês nascidos de mães infectadas. Essa relação foi feita pois o aumento no número de casos da síndrome Guillain-Barré (principalmente em 2013 na Polinésia Francesa) e microcefalia (no Brasil) aumentaram concomitantemente com o aumento no número de casos da da infeção pelo Zika.  Mas ainda não existe prova científica de que o Zika cause nem a síndrome nem microcefalia.

Qual a relação do vírus Zika e os casos de microcefalia no Brasil?

O vírus tem sido relacionado com altos casos nascimento de bebês com microcefalia em mães que foram infectadas pelo vírus. Até primeiro de dezembro de 2015, o Brasil tinha registrado 1.248 casos de bebês com a malformação, mas esse número já passa dos 4.000 suspeitos no dia de hoje, sendo 85% no nordeste brasileiro, chegando a quase 100 casos a cada 100.000 nascimentos (a média de registro de casos de microcefalia girava em torno de 20 a cada 100.000 nascimentos antes do surto). Em novembro de 2015 o Brasil detectou o genoma do vírus em amostras de sangue e de tecido de um bebê diagnosticado com microcefalia. Em janeiro deste ano, o Brasil reportou a presença do vírus em amostras de líquido amniótico (o líquido dentro da placenta) de 2 bebês diagnosticados com microcefalia. Controversamente, amostras do sangue das mães deram negativo para o vírus.

Se for comprovado que o vírus Zika é o responsável pelos casos de microcefalia em bebês, será muito provável que ele entrará para a lista de doenças tropicais neglicenciadas, as quais incluem a doença de Chagas, esquistossomose  e ancilostomíase. No entanto, apesar de todas essas evidências, até a atual data, ainda não existe prova científica que comprove essa teoria. Os pesquisadores ainda não conseguiram achar a causa para os casos de microcefalia no Brasil, e muitos argumentam que o vírus surgiu na África há 50 anos e nunca foi registrado casos de microcefalia e correlação entre a malformação e a infecção viral naquele país.

Como se prevenir de contrair o vírus?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o velho e bom repelente não pode faltar, cobrindo todas as partes do corpo, usar calças e mangas compridas de cores pálidas. Além disso, devemos acabar com os criadouros do mosquito, campanha que já muito forte no Brasil para o combate a dengue.

Existe tratamento?

Não. Não há tratamentos nem vacinas para prevenir, ainda. Pessoas infectadas apresentam sintomas que são passageiros, e os sintomas podem ser aliviados com medicamentos tradicionais. No entando, os bebês com malformação terão o desenvolvimento do cérebro afetado, e as consequências dessa malformação são assuntos para um outro post (mas lembrando que ainda não há nada comprovando que o vírus Zika causa microcefalia em bebês de mães infectadas).

O que está sendo feito a esse respeito? Qual o futuro?

Pesquisadores estão agora em um busca incessante para poder desvender os mistérios da infecção do vírus Zika. Jornais científicos internacionais estão incentivando a publicação de artigos em coletâneas específicas, para que as pesquisas possam se complementar e expor tudo que descoberto a respeito. A OMS também se movimenta para tentar solucionar o problema. Todos os artigos científicos sobre o vírus Zika que forem submetidos para a publicação serão aprovados em 24h pela OMS afim de compartilhar todo o conhecimento que for gerado (a publicação de um artigo científico normalmente pode demorar de semanas a anos!).

A OMS também está incentivando pesquisa e desevolvimento em empresas que queiram lançar produtos, idéias, técnicas que venham a beneficiar toda a comunidade, sejam com testes para a detecção da doença, tratamentos, maneiras de prevenir, vacinas, etc. Ela também trabalha para acelerar os testes clínicos e acelerar as pesquisas em cima do vírus.

Maiores informações em breve.

 

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Fonte:

Charrel et al. (2016)  State of knowledge on Zika virus for an adequate laboratory response [Submitted]. Bull World Health Organ E-pub

De Araújo et al. (2016) Microcephaly in northeastern Brazil: a review of 16 208 births between 2012 and 2015. Bull World Health Organ E-pub

Kindhauser et a. (2016) Zika: the origin and spread of a mosquito-borne virus [Submitted]. Bull World Health Organ E-pub

Marcondes et al. (2015) Zika virus in Brazil and the danger of infestation by Aedes (Stegomyia) mosquitoes. Rev. Soc. Bras. Med. Trop

http://collections.plos.org/zika

http://blogs.plos.org/speakingofmedicine/2016/01/07/will-zika-become-the-2016-ntd-of-the-year/

http://www.who.int/emergencies/zika-virus/en/

http://www.who.int/emergencies/zika-virus/situation-report/12-february-2016/en/

http://www.who.int/emergencies/zika-virus/situation-report/5-february-2016/en/

http://www.who.int/csr/research-and-development/r_d_zika_involvement/en/

http://www.who.int/bulletin/online_first/zika_open/en/

http://www.nature.com/news/the-next-steps-on-zika-1.19277?WT.ec_id=NATURE-20160204&spMailingID=50617576&spUserID=Mjg4NTk3ODMyODcS1&spJobID=860373381&spReportId=ODYwMzczMzgxS0

http://www.nature.com/news/zika-virus-brazil-s-surge-in-small-headed-babies-questioned-by-report-1.19259?WT.ec_id=NATURE-20160204&spMailingID=50617576&spUserID=Mjg4NTk3ODMyODcS1&spJobID=860373381&spReportId=ODYwMzczMzgxS0

Fazer dieta pra quê?

dietaNeste clima de começo de ano, e o peso na consciência por ter comido demais nas festas de fim de ano tenho certeza que a resolução de muita gente inclui fazer dieta. Pois se está difícil de começar, aqui vai mais um incentivo pra você: cientistas comprovaram que quando um organismo entra em dieta, existe maior queima de gorduras o que causa aumento da longevidade, fazendo o organismo viver mais!

Quando vamos envelhecendo, os genes responsáveis por controlar o ciclo circadiano vão diminuindo a sua expressão, como consequência, começamos a ter imbalanço entre a quantidade de horas que passamos dormindo ou acordado, e as horas em atividade ou repouso. Além disso, começam a surgir problemas hormonais, alterações na temperatura do corpo, entre outras complicações. Se houvesse alguma maneira de atenuar esses sintomas, talvez pudéssemos retardar o envelhecimento.

A pesquisa foi feita por cientistas da Califórnia nos Estados Unidos que estudaram este fenômeno na famosa mosca-da-fruta, a drosófila. Os cientistas fizeram as mosquinhas entrarem em dieta por 10 dias, e depois estudaram os efeitos benéficos “do regime”. Se vocês acham que 10 dias é pouco, pois saibam que essas moscas vivem de 40 a 60 dias em média. Dez dias então é equivalmente a estar de dieta por, pelo menos, 13 anos em um ser humano que viverá 85 anos. Os pesquisadores descobriram que quando as moscas ficam em dieta, muitos genes que controlam o ciclo circadiano aumentam seu nível de expressão em vários órgãos, promovendo uma queima mais eficiente de gordura. Interessantemente, essa queima de gordura devido à dieta, é responsável por aumentar a longevidade das mesmas. Moscas em dieta viveram até 80 dias, o que significa que a longevidade delas aumentou em até 20 dias (extrapolando para os seres humanos, isso seria equivalente a viver mais 30 anos para um ser humano que viverá 85 anos!).

Os números são apenas uma extrapolação, pois a pesquisa foi feita em mosquinhas. É importante lembrar que pesquisas similares ainda não foram feitas em seres humanos, e ainda não temos como ter 100% de certeza de que os mesmos efeitos seriam encontrados em humanos. Porém, caro leitor, esses organismos são usados hoje em pesquisa científica para entender muitos mecanismos básicos de vários organismos. Muitas pesquisas já foram feitas e não existe mais dúvida sobre os benefícios da dieta. As mosquinhas nos ajudam a compreender quais os mecanismos moleculares envolvidos neste processo, uma vez que estudar seres humanos por uma vida toda não seria viável muito menos ético.

Por fim, o Mistérios gostaria de fazer alguns questionamentos. Será então que por aumentar o nível de expressão de certos genes, as moscas tem o ciclo circadiano mais controlado? Será então que pessoas que sofrem de insônia ou de qualquer outro distúrbio que “bagunce” o ciclo circadiano, por exemplo, podem entrar em dieta e isso ajudará a regular a expressão dos genes e consequentemente o ciclo circadiano? Além disso, o que significa estar de dieta para o ser humano? a mosquinha aumentou a longevidade apenas por não comer levedura (ou fermento; sim! elas adoram comer leveduras!) e o ser humano? para ter todos esses efeitos benéficos, qual seria o cardápio de referência? Quanto tempo mais viveria o ser humano que entra em dieta?

Bem, se formos viver mais ou não, a dieta é boa pra inúmeras outras coisas como reduzir colesterol, controle hormonal, reduzir o açúcar no sangue, reduzir triglicérides, previnir diabetes, melhorar a autoestima, controle das funções do intestino, redução de toxinas no organismo, melhorar o funcionamento do cérebro, reduz risco de doenças cardíacas, entre outros benefícios. Bora começar a resolução de 2016 então?

 

Fonte:

Katewa SD e colaboradores. Peripheral Circadian Clocks Mediate Dietary Restriction-Dependent Changes in Lifespan and Fat Metabolism in Drosophila. Cell metabolism, 2016.

 

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A fonte do rejuvenescimento!

young and old brain

A idade vai chegando para todos e com ela muitos outros contratempos. Quando vamos ficando mais velho, além dos problemas hormonais, ósseos e cardíacos, temos uma maior chance de ficarmos mais esquecidos, piorar as nossas habilidades cognitivas, ou até mesmo de desenvolver doenças neurodegenerativas.

Mas porque será que essas mudanças ocorrem? O envelhecimento faz com que a neurogênese (produção de novos neurônios) diminuia no nosso cérebro, contribuindo para um declínio nas funções cognitivas. Além disso, a comunicação entre os neurônios também é limitada, há maiores fatores inflamatórios no nosso cérebro, e também vamos perdendo a capacidade de nos lembrar das coisas. Um estudo publicado em 2011 na revista Nature revelou que os componentes presentes no sangue diferem entre o sangue idoso e o sangue jovem, um indício de que tais componentes podem modular as funções cognitivas do cérebro.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores da escola de medicina da Universidade de Standford (EUA) colocaram plasma sanguíneo de camundongos velhos no corpo dos camundongos jovens e depois analisaram o cérebro deles. No cérebro desses jovens camundongos os pesquisadores descobriram que ocorreu menor plasticidade sináptica e também problemas de memória, assim como ocorre normalmente com um camundongo que está envelhecendo. Ou seja, camundongos novos passaram a se comportar como idosos. Ainda mais, os pesquisadores descobriram que uma molécula chamada Eotaxina pode ser uma das responsáveis por este efeito, pois ela está presente em grandes quantidades no cérebro de camundongos e seres humanos mais idosos.

Mais tarde, os pesquisadores injetaram sangue de camundongos jovens em camundongos idosos, e descobriram que o cérebro dos idosos agiam como se fossem mais novos, e que os camundongos idosos se saíam melhor em testes de memória, por exemplo. Os pesquisadores foram além, injetando sangue de seres humanos jovens em camundongos idosos, e conseguiram os mesmos efeitos benéficos que anteriormente.

Saibam os leitores que este grupo de pesquisadores acabou de começar uma pesquisa na qual estão injetando sangue de humanos jovens em humanos idosos com Mal de Alzheimer. Os resultados? Ainda não saíram, mas estaremos aqui na torcida!

E agora, será que os pesquisadores acharam a causa da velhice?  Será que achamos a fonte do rejuvenescimento? Já podemos inventar drogas para acabar com essa tal de molécula Eotaxina que faz envelhecer? Claro que não, meu caro leitor. Ela é apenas uma das substâncias envolvidas nesse processo. E quais são as outras? Quais são as susbtâncias responsáveis pelo rejuvenescimento? Muitas já foram descobertas, mas muitas ainda estão por vir…

Grande Abraço!

Fonte:

Leia mais…

Dormir pra quê?

sleep memoryPois é pessoal, os benefícios de uma boa noite de sono já são bem conhecidos e ninguém duvida mais disso. Uma boa “dormida” é importante para previnir o jetlag social, para limpar o cérebro de impurezas, e até mesmo para prevenir câncer. Todos sabem também que dormir é importante para retenção de memórias das coisas que aprendemos no dia a dia, como as matérias da escola, as outras línguas que estudamos, notas musicais dos instrumentos que tocamos, uma dança, e assim por diante. Mas como essa “retenção de memória” acontece ainda não está muito claro para a ciência.

drosophila-fly-head-electron-microscope-splPesquisadores nos Estados Unidos publicaram um artigo científico recentemente o qual utiliza a linda mosquinha da banana (Drosophila melanogaster) para entender como o cérebro retém as memórias depois uma boa noite de sono. Sim caro leitor, aquela mosquinha que fica encima da sua banana quando ela está madura tem cérebro, que por sinal tem muita coisa semelhante ao nosso cérebro, e sim, ela pode aprender e se lembrar das coisas também!

Os cientistas identificaram um grupo de neurônios dopaminérgicos (que liberam dopamina) que inervam a região do cérebro responsável pela memória das moscas. Esse grupo de neurônios, quando está ativado libera sinais no centro da memória e promove o esquecimento. Após identificarem esse mecanismo, os pesquisadores foram então investigar como o sono influenciava esses “neurônios do esquecimento”.

Foi então que eles descobriram! Quanto mais as moscas ficavam acordadas, mais ativos ficavam os neurônios do esquecimento, fazendo com que elas esquecessem o que tinham aprendido. O contrário também é verdadeiro, quanto mais as moscas dormiam, menor era a atividade dos neurônios do esquecimento, ou seja, menos elas esqueciam o que aprendiam.

Assim sendo, caro leitor, na mosca de fruta dormir é importante para não esquecer.

Vale lembrar, que em mamíferos há evidências que o sono promove a consolidação de memórias já existentes, e este evento também pode estar acontecendo nas moscas, mas ainda não foi testado. Já que os cérebros das mosquinhas são tão semlhantes ao cérebro dos mamíferos, será que nós seres humanos também perdemos a capacidade de esquecer quando dormimos? Se o sono promove consolidação de memórias, ou previne o esquecimento, pelo sim pelo não, melhor dormir, certo?

Mas o Mistérios ficou intrigado com uma última questão. Por que será que a evolução selecionou seres vivos com a capacidade de esquecer? Por que será que esquecer é bom? Por que não nascemos com a capacidade de se lembrar de tudo? Vixe tudo isso ainda pode ser assunto de um próximo post…

Ai.. me dá até um sono… acho que vou ali reduzir meu esquecimento, digo digo, vou dormir um pouco … ZzZzZzzzZZzzzzz….

 

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Vi aqui:
Berry et al., Sleep Facilitates Memory by Blocking Dopamine Neuron-Mediated Forgetting. Cell, 2015

Conheça Jaxon Strong, o bebê que nasceu com Microhidranencefalia

JaxonO bebê Jaxon que nasceu no dia 27 de agosto de 2014 nos Estados Unidos completou seu primeiro ano de vida surpreendendo a comunidade médica, que chegou a sugerir aborto durante a gravidez. O bebê é portador da malformação do cérebro chamada Microhidranencefalia. Essa doença é genética autossômica recessiva, o que significa que o bebê tem duas cópias do gene afetado, uma que veio do pai e outra que veio da mãe, em cromossomos que não são os cromossomos sexuais. Essa doença é muito rara, acontecendo em 1 a cada quase 5 mil bebês (dados dos Estados Unidos), e foi reportada poucas vezes em famílias com casamentos consanguíneos.

Microhidranencefalia é junção de microcefalia e hidranecefalia. A microcefalia ou anencefalia  resulta de uma malformação do cérebro durante o desenvolvimento causando redução dos hemisférios cerebrais principalmente. Hidroanencefalia é caracterizada pelo aumento de líquido cefalorraquidiano em uma “tentativa” de repor parte do tecido cerebral que não existe. Além do crânio e do cérebro serem menores, as crianças que desenvolvem essa doença geralmente tem estatura muito menor do que a média para a sua idade, apresentam problemas motores e cognitivos.

O primeiro estudo reportado dessa doença foi publicado em 2000, em uma família de turcos com 3 filhos afetados. Após isso, muitos poucos estudos foram feitos, existindo ainda uma lacuna sobre a Microhidranencefalia. Como será que ela pode ser causada? Apenas fatores genéticos? Que genes? Será que fatores ambientais podem causar a doença? Quanto tempo podem sobreviver os indivíduos portadores? Ainda há muito a se investigar e entender.

Enquanto as pesquisas ainda são poucas, o bebê Jaxon Strong tem encantando o público com o seu carisma e luta diária.

 

Confira sua página no facebook e saiba como contribuir para ajudar essa família clicando aqui.

 

Fonte:
https://www.facebook.com/WeAreJaxonStrong?ref=br_rs

http://omim.org/entry/605013

Gul Nihan Kavasla e colaboradores. The Novel Genetic Disorder Microhydranencephaly Maps to Chromosome 16p13.3-12.1. Am. J. Hum. Genet. 66:1705–1709 (2000)

Behunova J. e colaboradores. Familial microhydranencephaly, a family that does not map to 16p13.13-p12.2: relationship with hereditary fetal brain degeneration and fetal brain disruption sequence. Clin Dysmorphol. 2010 Jul;19(3):107-18

 

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Droga usada em tratamento de leucemia é testada em pacientes com Parkinson

Shaking PalsyPois hoje o blog vai tratar de uma super nova pesquisa super recém saída do forno, que ainda nem foi publicada em revista científica mas foi divulgada em um dos maiores eventos de neurosciência do mundo neste final de semana, o Society for Neuroscience em Chicago.

O doutor Fernando Pagan, diretor do Programa de Desordens do Movimento na Georgetown University Medical Center divulgou um estudo piloto na qual pacientes com doença de Parkinson receberam como tratamento uma droga hoje usada para o tratamento de leucemia, chamada nilotinib. Os pesquisadores obtiveram resultados promissores.

A doença de Parkinson é caracterizada pela morte de neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor envolvido nas vias de controle do movimento. A doença de Parkinson é caracterizada pelos sintomas: bradicinesia (lentidão anormal de movimentos voluntários), tremor e rigidez, pode surgir em jovens mas é mais comum em pessoas idosas. Essa doença não tem cura, e foi primeiramente caracterizada por James Parkinson na Inglaterra, há 200 anos atrás. Desde então, pesquisadores buscam arduamente tentar entender melhor os mecanismos de como essa doença surge, como ela age, e uma possível cura.

Os autores deste estudo recente explicam que em doenças como a Doença de Parkinson, os neurônios afetados produzem proteínas que se acumulam nas células causando toxicidade, acarretando na morte dos neurônios. Então os pesquisadores pensaram em uma maneira de “limpar” os neurônios. Claro, muitas outras pesquisas já estão sendo feitas nesse sentido, muitos pesquisadores já trabalham tentando entender o que acontece com os neurônios em doenças neurodegenerativas, e como tentar reverter. Mas os achados deste trabalho em específico são muito autênticos pois estudando o mecanismo de ação de uma droga já usada para tratamento de outra doença identificaram que o nilotinib é capaz de ativar um “sistema de limpeza” nas células, fazendo com que elas se livrem das proteínas tóxicas mais facilmente.

Os pesquisadores primeiro testaram em neurônios em cultura de células, e como tiveram resultados positivos, testaram a droga em camundongos, o que também trouxe bons resultados. Os camundongos que tinham a doença de Parkinson quase não conseguiam mais se movimentar, tiveram seus movimentos restaurados quando a droga foi aplicada. Então os pesquisadores partiram para testes em seres humanos. Os pacientes tratados tiveram níveis reduzidos de proteínas tóxicas no seu sangue e no líquido cefalorraquidiano, os simtomas da doença também melhoraram, com pacientes que voltaram a comer sozinhos, andar novamente normalmente e falar normalmente. Além disso, os pacientes reduziram a quantidade de remédios que tomavam para a doença de Parkinson, sugerindo que os neurônios melhoraram a produção de dopamina. Vale lembrar que os testes com seres humanos duraram apenas 6 meses.

No entando, caro leitor, apesar de os resultados serem muito promissores, o estudo é apenas um piloto, com resultados muito preliminares. A droga ainda precisa ser testada em muitos outros pacientes, mesmo porque a doença pode se manifestar diferentemente em diferentes pessoas. Além disso, o Mistérios ainda tem mais perguntas para os autores dessa pesquisa: Será que essa droga é capaz de impedir a progressão da doença, ou apenas retardar a doença de uma maneira mais eficiente que a L-dopa utilizada hoje ? Será que os pesquisadores pensaram em qual vai ser os efeitos a longo prazo da ingestão desta droga por pacientes com Parkinson? Será que essa droga seria tóxica a longo prazo? Será que é uma cura?

Vi aqui e aqui:

Patrick A. Lewis. James Parkinson: The Man Behind the Shaking Palsy. Journal of Parkinson’s Disease 2 (2012)
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